Por Décio Dalke Jr. · set. 2026

A lógica do Super Mario

A lógica das fases do Super Mario aplicada à arquitetura de negócios: do simples ao complexo, as regras do mundo antes de começar a jogar.

Parte 1 de 1 da série A lógica do Super Mario.

GestorProcessos

Décio Dalke Jr. — Arquiteto de negócios. Sócio-gerente no ecossistema MitUP (mitup.pt).

Se você nasceu no planeta Terra em algum ponto dos últimos 40 anos (ou pelo menos viveu por cá, mesmo que tenha vindo de algum lugar mais distante) você já ouviu falar do jogo Super Mario.

Foi um jogo que revolucionou o mundo dos games e tornou-se icônico para uma geração inteira. Mas nosso objetivo aqui não é ajudar o bombeiro ítalo-americano a salvar a sua princesa. Só queremos aproveitar a lógica da psicologia por trás da construção das fases e desafios que o jogo apresenta. É esta lógica e esta dinâmica que vamos trazer para cá!

Arquitetura de negócios é a disciplina que organiza como as partes de uma empresa se encaixam: negócio, dados, ferramentas e tecnologia. Não é um desenho na parede — é o que decide se a estratégia sobrevive à execução. E o ponto onde ela toca todas as outras áreas de conhecimento tem nome: Gestão.

Você começa um jogo novo com uma sequência de fases muito fáceis que ensinam a dinâmica dos personagens e o contexto necessário. Conhece os inimigos, conhece os movimentos, pode habituar-se a esses desafios e constrói uma base inicial de conhecimento de dinâmica e senso de tempo-espaço. À medida que o jogo avança, a dificuldade vai crescendo e novos inimigos vão surgindo. Mas como você já entendeu como tudo funciona e se conecta, os elementos novos vão sendo facilmente assimilados. Você já sabe onde está, o que está fazendo e como deve ligar as peças. Mais difícil? OK! Só preciso pegar o jeito!

Essa é minha proposta também! Esta introdução vai trazer o contexto do conteúdo e qual a dinâmica. Vai permitir encontrar os assuntos e como eles se conectam. Dos mais fáceis aos mais difíceis. Novos elementos vão surgindo, mas já vai saber como “conectar as peças”. Vai conhecer o mundo e os cenários. E com isso, tudo vai ganhar sentido.

E por quê? Porque o assunto de Arquitetura de Negócios é mais ou menos como um jogo completo do Super Mario. Você precisa de várias skills (não só as de IA), de conhecimentos diversos que muitas vezes podem parecer desconexos. Alguns assuntos e áreas de conhecimento são áreas de atuação individuais. Ou seja, você pode ser um profissional somente dessa área de atuação (Gestão de Projetos, por exemplo). Mas lembre-se, precisa entender o contexto do “mundo” onde você está para que tudo faça sentido!

Qual a proposta deste conteúdo?

Compartilhar e discutir sobre áreas de conhecimento que formam a Arquitetura de Negócios sob uma ótica integral e integrada. Vou me limitar ao TOGAF? Não. Vou falar também de Análise de Negócios e BABOK, ou ainda de Gestão de Projetos e PMBOK. Quero trazer uma visão pessoal e baseada em experiência, de uma forma transversal a todas.

Qual o ponto de vista de quem escreve?

Todos os conteúdos aqui podem ser direcionados para o gestor ou para um profissional mais técnico. Ou para um perfil híbrido. Mas o ponto de vista de quem escreve é de alguém que já foi técnico, atua na gestão, mas navega entre os dois mundos.

Qual o contexto presente aqui?

São dois conceitos básicos:

  • Gestão é composta por Pessoas, Processos e Ferramentas.
  • A arquitetura de negócios envolve várias áreas de maneira direta: negócio, dados, ferramentas e tecnologia. Esse é o conceito. A interface entre a arquitetura de negócios e as demais áreas de conhecimento acontece na Gestão. A implementação e a gestão corrente obrigam que as áreas interajam nessas interfaces.

Quais são as interfaces que vamos abordar?

  • Gestão organizacional: a aplicação prática do pilar Pessoas, Processos e Ferramentas. Onde tudo se encontra. E os pequenos conceitos do dia a dia, como PDCA, análise de falhas, curva ABC, Pareto etc.
  • Gestão de projetos: o conceito de projeto — NÃO é rotina, tem objetivo específico, fim previsto e recursos delimitados. Ou seja, quase tudo é projeto!
  • Administração contratual: a operacionalização correta do relacionamento entre entidades através de contratos e suas ferramentas. Da construção à gestão. Toda estratégia pensada cai por terra se a execução for mal gerida com um fornecedor problemático.
  • Sistemas de gestão e conformidade: um sistema de gestão integrado que trata de todas as verticais aplicáveis — qualidade, meio ambiente, governança, conformidade e proteção de dados, entre outras. Uma única máquina de funcionamento modular. Uma nova vertical significa um novo módulo, e não uma reinvenção da empresa e do negócio.
  • Tecnologia e Processos
    • Processos como elemento de organização empresarial (da cadeia de valor até a implementação de sistema de gestão).
    • Tecnologia como ferramenta que implementa/opera/auxilia os processos.
  • IA — Inteligência Artificial
    • A IA não pode ser considerada somente como uma tecnologia/ferramenta. Ela é um componente vivo e individual dentro de uma estratégia empresarial.

Demais conceitos

  • Esta seção vai crescer.

Quais as regras desse mundo?

Sempre gostei de alegorias e parábolas. Penso que, se você conseguir extrair a lógica principal de uma história mais simples ou lúdica, quando chegar ao conteúdo mais denso vai ter mais facilidade em compreender o essencial, sem perder muito tempo com explicações adicionais. Se eu falar que gestão de projetos é interdisciplinar e transversal a qualquer área de conhecimento, posso não me fazer entender. Se eu disser que um bom gestor de projetos planeja o lançamento de um foguete ou de uma festa de aniversário, me faço entender com clareza.

Gosto também de exemplos práticos, e começo com um caso pessoal: há alguns anos criamos um programa de formação de planejadores em um projeto em que trabalhei, na construção da RNEST (Ipojuca/PE/Brasil). O programa visava recrutar jovens da população local e dar-lhes conteúdo e formação para atuarem como planejadores de projetos industriais. Estruturamos o treinamento e o conteúdo com muito esmero e profissionalismo. Onde falhamos? Para muitos, o conceito era abstrato demais. Eles tinham o conhecimento teórico. Mas a realidade deles não continha os elementos que tentávamos explicar. Tivemos de trocar teoria por prática e fazer com que a teoria fosse percebida depois, e não antes.

Em resumo: não se assuste se um texto falar de queima de bruxas. Em algum ponto o assunto vai aparecer. E se exemplos práticos forem trazidos, busque a teoria que só a prática ensina!

Bora jogar?